Nasci em Passo Fundo, RS em 4 de Agosto de 1968.

Com 9 anos, atendendo aos meus pedidos, meu pai me matriculou em um curso de inglês (Fisk). Não sei porque insisti tanto, mas gostava da ideia de falar aquilo que escutava em música.

Por conta da transferência da família para o interior de Minas (Pará de Minas), no começo dos anos 80, tive de interromper os estudos de inglês, o que foi remediado com a chegada de uma intercambista do Rotary Club na nossa casa. Ela se recusou a aprender o português durante o ano que passou ali, e eu aproveitei para ser seu intérprete durante aquele período.

Quando chegou minha vez de fazer intercâmbio, já cheguei nos Estados Unidos relativamente fluente na lingual local pra um adolescente de 16 anos. Fui matriculado na High School, em várias matérias sérias como US History, Government e outras que me obrigaram a estudar muito, mas que foram fundamentais pro meu aprendizado da língua. A oportunidade de conviver com jovens da minha idade, discutir idéias e até fazer teatro, me deram confiança para dizer que já dominava o inglês aos 17 anos.

Ao longo do ano de intercambio me aproximei de 2 alemães, que me incentivaram a aprender sua lingua materna. Assim, me matriculei no curso de alemão oferecido pela própria escola e na minha volta ao Brasil, dei andamento ao que já havia começado.

Minhas primeiras amizades então foram os ex intercambistas (ROTEX) e os intercambistas do Rotary em Belo Horizonte, que certamente me ajudaram a manter meu inglês.

Com 3 anos de curso de alemão, embarquei para a Alemanha para morar durante 6 meses na casa da família de um dos amigos que havia conhecido nos Estados Unidos. Sua família tinha experiência e gostava de receber intercambistas, assim foi extremamente acolhedora. Eu passava o dia ou na escola ou na universidade, que me aceitaram como ouvinte, onde pude expandir meu grupo de amigos e melhorar meu nível de conversação em alemão. A noite, em família, sempre me davam oportunidade de aprender fatos sobre a cultura e os hábitos do país.

Desde que havia chegado de volta ao Brasil, estava fazendo faculdade de Comércio Exterior em Belo Horizonte, quando ouvi falar da AIESEC (Association internationale des étudiants en sciences économiques et commerciales), que me ofereceu a oportunidade de conhecer vários intercambistas universitários, especialmente da Alemanha. Através da ajuda de um deles, logo após minha formatura, voltei a Alemanha para fazer um estágio na área de exportação em uma empresa pequena perto de Colônia. Após 6 meses, um outro amigo, me conseguiu um novo estágio em Duisburg na área de importação, e assim fui morar com os queridos amigos Ana e Max, que me acolheram durante minha estada ali. O frio do inverno, a realização de não estar fazendo algo de que gostava muito e a vontade de voltar a dar aulas me levaram de volta ao Brasil em 1994.

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Adauto Diniz – Professor de Inglês no Berlitz em Tokyo, Japão

Em Março de 1994 comecei a dar aulas de inglês e de alemão em tempo integral pela Escola Berlitz em Belo Horizonte, de onde só saí em 2006, ao ser aceito para o mesmo emprego, na “Berlitz Japan” em Tóquio. Desde a chegada ao Japão, me senti em casa, apesar do completo desconhecimento do japonês e da cultura. Tentei e tento remediar a situação desde então, mas pelo fato das diferenças culturais e linguísticas muito grandes, a experiência é por vezes, frustrante, embora ao mesmo tempo, instigante.

Numa busca de aprimoramento profissional terminei um mestrado em TESOL (Teaching English to Speakers of Other Languages) em 2014, e desde então estou me voltando a aulas em universidades japonesas. Assim tento expandir meu estilo de aulas para jovens universitários, antes que iniciem sua carreira profissional, e tento alertá-los sobre aquilo, que meus outros alunos, que já trabalham, tanto se queixam: das consequências de não abraçar a oportunidade de aprendizado de inglês com mais seriedade durante o período em que estão na faculdade. O Japão está passando por um período em que precisa cada vez mais se comunicar com outros países, e há por isso muito interesse em aprender especialmente, o inglês.

Ainda não sei se uma pessoa se torna boa naquilo que faz, por ter talento, ou se o esforço é o que mais vale. Como disse um dos meus professores: “o aprendizado de uma língua requer milhares de horas, mas não é diferente, do que passa qualquer outro aprendiz em qualquer outra área.” Minha curiosidade e vontade de me comunicar com pessoas de várias nacionalidades me trouxeram até aqui, mas foi preciso sempre muita humildade, na hora de ser corrigido, ao longo do processo, e é isso que tento passar aos meus alunos que procuram resultado no curto prazo: there are no short cuts in life.